quarta-feira, 18 de maio de 2011

Noites de outono - Autor : Ruy da Penha Lôbo

Era sábado  22 de março de 1920 , estava brincando com meus irmãos Claudio, Romualdo , Melquiades e Venerando e minha irmã Carmem , meu pai Ataíde , chamou-nos para entrar para dentro tinha uma novidade para nos contar.

   Entramos e ele disse para mim :
        - Ferdinando vou ter que viajar por alguns dias e peço que cuide de sua mãe juntamente com seus irmãos
    Então respondi a ele:
         -Porque pai você diz isso
    
       Em seguida meu pai disse :
       
       - É porque eu tenho que ir atrás de sua avó que há muitos anos nos separamos e alguém me disse que ela está em Jaçuaba , eu quero revê-la pois depois que ela se separou de meu pai , eu nunca mais a vi , pois meu pai me pegou e sumiu comigo e ela nunca mais soube notícias  .   
    
      Ouvindo todo aquele relato disse :
        - Pai pode ir tranqüilo traga a vovó para que possamos conhecê-la .
        
      Nesse instante meu pai saiu e foi se arrumar, assim que se aprontou pegou as malas , pois a viagem era longa , cento e oitenta quilômetros de distancia de onde nós morávamos, quando terminou de se arrumar chamou minha mãe Bernadete e disse :
        
         - Querida vou te deixar um dinheiro , para que você se mantenha até eu voltar.
     
       Ao falar isso minha mãe lhe deu um beijo e disse:
        
          - Pode ir tranqüilo Ataíde , vamos ficar bem
        
       Passadas algumas semanas minha mãe já estava de preocupando pois meu pai não lhe mandava noticias e naquela época era complicado pois o único meio de comunicação era o telegrafo , que demorava muitos dias , não é igual o que se tem hoje que se tem a internet em que em poucos minutos fica-se sabendo de tudo.
      
     Ao passar estas semanas meu pai manda um telegrama dizendo:
            
      - Querida se prepare pois estou chegando com minha mãe nos próximos dias

        Chega o dia 20 de abril fomos para a estação , seu Ataxedes , o chefe da estação estava esperando o trem , para pegar as correspondências , enfim chega a hora que tanto aguardávamos , a locomotiva para em Guaranam era uma noite fria de outono estávamos com roupas de frio , eu minha mãe e meus irmãos .
        
       Ao descer do tem vi meu pai com um sorriso estampado em seu rosto , em seguida minha avó uma velhinha , tendo que ser amparada por meu pai , quando a encontrei ela sorriu e disse:
          
      - você que é Ferdinando seu pai falou muito de você , venha meu netinho me dê um abraço. 

     Enquanto isso meus outros irmãos estavam por entender eram crianças muito mais novos que eu e não sabiam o que estava acontecendo , a felicidade havia chegado a nossa casa , meu pai estava feliz pois tinha encontrado sua mãe , minha mãe também estava alegre pois meu pai havia voltado e eu e meus irmãos continuávamos, vivendo aquela vida de criança onde não se tem responsabilidade e somente vive-se aquele momento.  
     
    Sentado na sala de casa em Londrina Paraná , com minha esposa Fátima , relembrei disso tudo e senti uma vontade imensa que aqueles momentos alegres voltassem , hoje não tenho meus pais , minha mãe faleceu  , meus irmãos não os  vejo mais nós separamos uns foram para São Paulo outros para Goiânia e eu nessa solidão o que me acalenta e motiva , são aquelas noites de outono , em que os dias eram alegres e que ficaram eternizadas nas memórias deste velho triste .

sexta-feira, 6 de maio de 2011

um amor de Copenhague - Autor: Ruy da Penha Lôbo

Era Tarde de Abril de 1930 estava andando pela cidade de Copenhague quando me deparei com a mulher mais bela que meus olhos puderam ver , era Sonia uma brasileira recém-chegada a cidade e que estava fazendo um curso de Medicina .
            Quando a vi meu coração sentiu naquele momento que aquela era a mulher com quem iria viver a vida inteira , estava passeando em um parque e sentada na praça estudava para a prova que iria fazer no outro dia .
            Ao chegar nos cumprimentamos me apresentando perguntei a ela seu nome e ela respondeu:
           
             - me Chamo Sônia
             
             E em seguida perguntou o meu nome e então lhe responde :
            
               - me chamo Antônio sou brasileiro estou aqui estudando arquitetura na University School Whashington  
           Então ela disse que também estudava em Universidade importante de Copenhague  que se chamava University School Princess , depois de trocarmos idéias , saímos dali e fomos para um bar de um brasileiro , chamado brasilidade de um casal chamado Constancio e Renata , que havia aberto há pouco tempo .
           Ficamos lá um  pouco conversando e relembrando do Brasil , das coisas boas , de sair pelas ruas com os amigos e do jeito brasileiro de ser que é único no mundo , contei a ela que meu pai se chamava Heraldo e era um prospero industrial de sapatos  e eu era da cidade de Franca ,São Paulo , e ela me disse que ela filha de um casal que trabalhava para um senhor muito rico e quese chama Ronaldo e que  tinha varias industrias e que se chamava Ronaldo e que não tinha filhos e considera ela como se fosse sua filha inclusive ele pagou os estudos em boas escolas e custeava todas as suas despesas em Copenhague incluindo ate os seus estudos pois o seu sonho é ver ela formada em Universidade. 
         Depois dessa breve conversa fomos para casa , mas mantinha a ansiedade de revê-la novamente e poder ver aquela beleza de mulher , passados alguns dias se  encontraram novamente na mesma praça e disse a ela que não tinha esquecido e gostaria muito de namorar com ela , espantada ela falou que também não tinha tirado eu do seu pensamento e que estava sentindo a mesma coisa por mim.
          Ao falar isso disse-lhe :
              
            - Sônia , você aceita namorar comigo
           
          Então ela respondeu :
               
              - Sim aceito
           Nesse instante  a abracei e lhe dei um longo beijo que não esqueço até hoje , passados alguns anos terminamos nossos respectivos cursos e fomos embora para o Brasil , era o ano de 1950 , ao chegar notei que aquele pais que havia deixado estava diferente , a cidade de Franca tinha se modificado estava com um amplo parque de calçados , encontrei com meu pai Heraldo e ele me disse:
                
                 - Antônio que Saudades de Você meu filho ! como foi de viagem transcorreu tudo bem no avião , eu e sua mãe não estávamos agüentando de saudade.
                  Então disse:
                    - foi tudo bem pai , tenho uma novidade estou namorando , minha namorada se chama Sônia , e é linda , alegre , comunicativa e também uma pessoa simples .
                 
                     Quando acabei de falar meu pai respondeu:
                   
                         - filho é filha de industrial ?
                    Nesse instante respondi:
                      -não pai ela é filha dos empregados do senhor Ronaldo , um grande industrial , que tem varias industrias , que não tem filhos e a ajudou nos seus estudos e na sua formatura de Medicina.
                    Depois de dizer isso meu pai respondeu :
                      - Filho eu não quero que você continue namorando essa moça , ela é pobre, você merece uma moça abastada de classe elevada , filha de industrial , se você continuar namorando com ela, eu te deserto em meu testamento.
                    Quando terminou de falar isso disse:
                        - Pai , não aceito o senhor falar dela dessa forma , ela é o grande amor da minha vida , a mulher que sempre sonhei , se o senhor quiser me deserdar , pode deserdar que não  largo de namorar com ela pois a amo.    
                      Vendo a minha determinação , minha mãe Gerthudes disse a meu pai:
                        - Heraldo pare com isso! , nosso filho tem o direito de namorar com quem ele quiser , se lembre que nós também fomos pobres e subimos graças ao nosso trabalho e determinação e essa moça que é dedicada pois já se formou em medicina e tenho certeza subira na vida.
                        Ao dizer isso a meu pai , meu pai Heraldo respondeu:
                           - está bem Gerthudes , você tem razão , estava sendo muito preconceituoso , nós também fomos pobres e subimos graças  a nossa luta e determinação .
                          E então disse para eu:
                             - Antônio traga essa aqui em casa para que possamos conhecê-la
                           Depois eu disse :
                              
                           - Está bem Pai , a trarei aqui em casa e vocês verão o quanto é bela.
                           
                        Chega o dia 18 de abril de 1950 , estava chegando na casa de meus pais com Sônia , ao ver-la  meu pai Heraldo perguntou :
                             
                           - Filha qual é o seu nome?  
                        
                            E então Sônia respondeu:
                             
                           - Me chamo Sônia
                         
                            Meu pai disse então:
                              
                            - Nossa ! Antônio sua namorada é linda , você tem bom gosto
                           
                           Terminadas as apresentações fomos para o almoço que estava prestes a sair , ao ficar pronto fomos sentar e percebe que o sorriso de Sônia estava meio sem graça , sem saber o que fazer com os talheres , minha mãe vendo desconcerto disse:
                              
                         - Sônia fique a vontade , coma do jeito que você está acostumada

                         Este namoro entre eu e Sônia foi um namoro de muito compromisso e de muita confiança um no outro , enfim no dia 20 de novembro de 1955 , nos casamos, relembrando de tudo isso tenho saudades pois sinto que hoje as pessoas não tem essa dedicação umas com as outras , não sabem o que é o verdadeiro amor , onde um compreende o outro.  Hoje chegado o ano de 1980 , aos oitenta anos , vivo com alegria com minha esposa Sônia , meus filhos e netos  na cidade de São Paulo, tendo a sensação que a felicidade , quando a procuramos , e a minha felicidade aconteceu em uma tarde de abril de 1930 , onde encontrei meu grande amor , um amor de Copenhague. 

um amor de Copenhague - Autor : Ruy da Penha Lôbo

            Era Tarde de Abril de 1930 estava andando pela cidade de Copenhague quando me deparei com a mulher mais bela que meus olhos puderam ver , era Sônia uma brasileira recém-chegada a cidade e que estava fazendo um curso de Medicina .
            Quando a vi meu coração sentiu naquele momento que aquela era a mulher com quem iria viver a vida inteira , estava passeando em um parque e sentada na praça estudava para a prova que iria fazer no outro dia .
            Ao chegar nos cumprimentamos me apresentando perguntei a ela seu nome e ela respondeu:
           
             - me Chamo Sônia
             
             E em seguida perguntou o meu nome e então lhe responde :
            
               - me chamo Antônio sou brasileiro estou aqui estudando arquitetura na University School Whashington  
           Então ela disse que também estudava em Universidade importante de Copenhague  que se chamava University School Princess , depois de trocarmos idéias , saímos dali e fomos para um bar de um brasileiro , chamado brasilidade de um casal chamado Constancio e Renata , que havia aberto há pouco tempo .
           Ficamos lá pouco conversando e relembrando do Brasil , das coisas boas , de sair pelas ruas com os amigos e do jeito brasileiro de ser que é único no mundo , contei a ela que meu pai se chamava Heraldo e era um prospero industrial de sapatos  e eu era da cidade de Franca ,São Paulo , e ela me disse que ela filha de um casal que trabalhava para um senhor muito Rico que tinha varias industrias e que se chamava Ronaldo e que não tinha filhos e considerava ela como se fosse sua filha inclusive ele pagou os estudos em boas escolas e custeava todas as suas despesas em Copenhague incluindo ate os seus estudos pois o seu sonho é ver ela formada em Universidade. 
         Depois dessa breve conversa fomos para casa , mas mantinha a ansiedade de revê-la novamente e poder ver aquela beleza de mulher , passados alguns dias se  encontraram novamente na mesma praça e disse a ela que não tinha esquecido e gostaria muito de namorar com ela , espantada ela falou que também não tinha tirado eu do seu pensamento e que estava sentindo a mesma coisa por mim.
          Ao falar isso disse-lhe :
              
            - Sônia , você aceita namorar comigo
           
          Então ela respondeu :
               
              - Sim aceito
           Nesse instante  a abracei e lhe dei um longo beijo que não esqueço até hoje , passados alguns anos terminamos nossos respectivos cursos e fomos embora para o Brasil , era o ano de 1950 , ao chegar notei que aquele pais que havia deixado estava diferente , a cidade de Franca tinha se modificado estava com um amplo parque de calçados , encontrei com meu pai Heraldo e ele me disse:
                
                 - Antônio que Saudades de Você meu filho ! como foi de viagem transcorreu tudo bem no avião , eu e sua mãe não estávamos agüentando de saudade.
                  Então disse:
                    - foi tudo bem pai , tenho uma novidade estou namorando , minha namorada se chama Sônia , e é linda , alegre , comunicativa e também uma pessoa simples .
                 
                     Quando acabei de falar meu pai respondeu:
                   
                         - filho é filha de industrial ?
                    
                       Nesse instante respondi:
                      -Não pai ela é filha dos empregados do senhor Anderson , um grande industrial , que tem varias industrias , que não tem filhos e a ajudou nos seus estudos e na sua formatura de Medicina.
                    Depois de dizer isso meu pai respondeu :
                      - Filho eu não quero que você continue namorando essa moça , ela é pobre, você merece uma moça abastada de classe elevada , filha de industrial , se você continuar namorando com ela, eu te deserto em meu testamento.
                    Quando terminou de falar isso disse:
                        - Pai , não aceito o senhor falar dela dessa forma , ela é o grande amor da minha vida , a mulher que sempre sonhei , se o senhor quiser me deserdar , pode deserdar que não  largo de namorar com ela pois a amo.    
                      Vendo a minha determinação , minha mãe Gerthudes disse a meu pai:
                        - Heraldo pare com isso! , nosso filho tem o direito de namorar com quem ele quiser , se lembre que nós também fomos pobres e subimos graças ao nosso trabalho e determinação e essa moça que é dedicada pois já se formou em medicina e tenho certeza subira na vida.
                        Ao dizer isso a meu pai , meu pai Heraldo respondeu:
                           - está bem Gerthudes , você tem razão , estava sendo muito preconceituoso , nós também fomos pobres e subimos graças  a nossa luta e determinação .
                          E então disse para eu:
                             - Antônio traga essa aqui em casa para que possamos conhecê-la
                           Depois eu disse :
                              
                           - Está bem Pai , a trarei aqui em casa e vocês verão o quanto é bela.
                           
                        Chega o dia 18 de abril de 1950 , estava chegando na casa de meus pais com Sônia , ao verem meu pais Heraldo respondeu:
                             
                           - Filha qual é o seu nome?  
                        
                            E então Sônia respondeu:
                             
                           - Me chamo Sônia
                         
                            Meu pai disse então:
                              
                            - Nossa ! Antônio sua namorada é linda , você tem bom gosto
                           
                           Terminadas as apresentações fomos para o almoço que estava prestes a sair , ao ficar pronto fomos sentar e percebe que o sorriso de Sônia estava meio sem graça , sem saber o que fazer com os talheres , minha mãe vendo desconcerto disse:
                              
                         - Sônia fique a vontade , coma do jeito que você está acostumada

                         Este namoro entre eu e Sônia foi um namoro de muito compromisso e de muita confiança um no outro , enfim no dia 20 de novembro de 1955 , nos casamos, relembrando de tudo isso tenho saudades pois sinto que hoje as pessoas não tem essa dedicação umas com as outras , não sabem o que é o verdadeiro  amor , onde um compreende o outro.  Hoje chegado o ano de 1980 , aos oitenta anos , vivo com alegria com minha esposa Sônia , meus filhos e netos  na cidade de São Paulo, tendo a sensação que a felicidade , quando a procuramos , e a minha felicidade aconteceu em uma tarde de abril de 1930 , onde encontrei meu grande amor , um amor de Copenhague.  

terça-feira, 3 de maio de 2011

Poesia : Felicidade interação entre pessoas - Autor : Ruy da Penha Lôbo

Felicidade , estado momentâneo de alegria , amor esperança, renovação de um dia ter a sensação que somos mais  felizes quando estamos em interação.

II

Interação para entender que a felicidade não se constrói isoladamente ela é um caminho que se deve seguir arduamente.

III 

Devemos ter a concepção que a felicidade acontece em cada irmão quando é capaz de dividir o pão.

IV
Dividir o pão não na forma representativa mas com sonhos, alegrias , mudança de opinião aceitando as diferenças para sermos mais irmãos. 

V

A  Felicidade , resumindo é a concretização de uma esperança que não se perde e acredita no ser humano e transforma a nossa vida com mais amor e devoção realizando no mundo uma sociedade sem exclusão.  

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Poesia: O Amor - Autor: Ruy da Penha Lôbo

I  amor palavra singela expressão no olhar,
carinho sempre presente razão divina de te amar.


II amar como outrora em outros Tempos sem fim,
desejando você bem pertinho de mim.


III amor não é simples gesto mais é doação,
querendo o seu amor essa é minha grande ilusão.


IV esperando que você rompa com essa decepção,
pois eu quero te amar e espero o seu perdão.


V  você é minha musa minha eterna namorada,
razão da minha vida paixão dilacerada.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Recordações de Um Natal - Autor : Ruy da Penha Lôbo

           Dezembro de 1931 , estávamos alegres mas um natal se aproximava , Eu Eusébio Fernandes juntamente com meus irmãos Rodolfo e Carmina e meus pais Atanásio e cândida Preparávamos com expectativa os festejos de Natal.
            Era tudo muito alegre , Minha mãe Cândida e Minha avó Heloisa cuidavam de todos os detalhes para a ceia que iria acontecer depois  da Missa do galo que se realizava a meia –noite presidida pelo padre Osmar na igreja matriz de Cordeirópolis Goiás , nessa época me lembro muito bem a igreja fica lotada , todos procuravam chegar mais cedo para conseguir os melhores lugares e poder assistir a missa que era muito bonita com um coral de doze crianças cantando musicas natalinas .
            Nessa época , o natal tinha outro sentido , as pessoas não se preocupavam apenas em consumir , comprar presentes , mas em alimentar o espírito com a palavra tendo em mente o verdadeiro sentido do natal que é o nascimento do menino Jesus.
             Eu e meu irmão Rodolfo ajudávamos meu pai Herculano na criação de gado e nas Hortaliças , enquanto minha irmã Carmina  ajudava minha mãe Cândida nos afazeres domésticos. No dia  24 , terminávamos mais cedo o serviço e íamos descansar com meu avô Cláudio que sempre nos visitava e passava o natal conosco com minha avó Heloisa.
           Enquanto isso na cozinha minha mãe Cândida , Carmina e minha avó Heloisa preparavam a ceia com lombo assado , Feijão tropeiro , Costela de porco e arroz com pequi , e para sobremesa doce de goiaba , doce de figo , doce de leite , doce de pêssego e um pudim. Ao chegar lá pelas sete horas íamos nos aprontar para ir a missa pois o padre Osmar não se atrasava e da roça até Cordeirópolis era doze quilômetros , tínhamos que sair mais cedo para encontramos lugares para sentar.    
           Saiamos em duas caminhonetes uma  de meu pai Herculano e outra do meu avõ Cláudio quando chegávamos em Cordeirópolis a cidade estava toda iluminada cheia de luzes natalinas , as pessoas estavam todas bem vestidas para celebrar o nascimento do menino –Deus usavam suas melhores roupas pois era uma data especial.
          Ao chegar na matriz o padre Osmar sempre nos recebia com alegria dizendo que Jesus estivesse conosco , isso era recorrente antes das celebrações ele dizer isso para os fieis e que não saiu da minha memória , quando começa a missa a igreja estava com grande aglomeração que mal cabia as pessoas dentro do recinto sendo que algumas pessoas ficavam do lado de fora pois não havia bancos suficientes , mas ninguém se importava pois queriam celebrar o nascimento do menino Jesus .
           Na homilia o padre Osmar sempre dizia que o nascimento do menino Jesus foi o fato mais da Historia pois delimitou o tempo , antes e depois de cristo , dizia também que Jesus veio para transformar a humanidade e trazer princípios novos para as pessoas.
           Ao terminar a missa , sempre havia apresentação com musicas natalinas com o noite feliz para o final da apresentação , quando terminava o espetáculo íamos para praça onde meu pai Herculano e me avô Cláudio iam conversar com seu Praxedes  e minha mãe Cândida e minha avó Heloisa iam conversar com sua esposa , enquanto isso eu Eusébio e Rodolfo íamos brincar com Carlos o filho do seu praxedes e Carmina brincar com Domitila a sua filha , a conversa era boa pois seu Praxedes e dona Catarina e seus filhos Carlos e Domitila eram pessoas alegres , simples e educadas que não se importavam com nossa condição social , pois seu Praxedes tinha uma farmácia bem montada em Cordeirópolis e na vizinha cidade de Diamante. 
           O assunto estava muito bom mas podíamos demorar mais e logo nos despedimos desejando um feliz natal e fomos para o sitio celebrar o nascimento com uma ceia que me faz sentir Saudade , quando chegava ao sitio antes da ceia meu pai sempre fazia as suas orações  pedindo a Deus forças para lutar contra as adversidades da vida .
         Nesse dia me lembro bem meu pai Herculano juntamente com minha mãe Candida iam buscar os presentes que haviam comprado para mim e para meus irmãos que tinha sido adquiridos com um turco conhecido que se chamava Hanan que era um comerciante prospero na cidade de Cordeirópolis  e que vendia para toda a cidade , pois além de ser um excelente era uma pessoa simples e alegre.
         Ao voltarem com os presentes percebi a alegria nos olhos de meu pai e minha mãe chamou-nos um por um, para meu irmão Rodolfo deu um carrinho de madeira e para mim um cavalinho de madeira e para minha irmã Carmina uma boneca de pano , enuanto meu avô Cláudio ganhou um canivete muito bonito marca corneta e minha avó Heloisa um pano para fazer um vestido , minha mãe Cândida ganhou de presente um lindo quadro da santa ceia por meu pai Herculano e meu pai ganhou de minha mãe Cândida uma linda Bíblia.
        Passados estes momentos de troca de presentes fomos para a ceia nos alimentamos e depois da ceia meu avõ Cláudio sempre tocava modas de viola que alegrava a todos tanto que ficávamos até altas horas e depois íamos deitar.
         No outro dia passada toda a festa , ao chegar a tardinha , era o momento mais triste pois meu avô Cláudio e minha avó Heloisa iam embora e ficávamos tristes com suas ausências , desejosos que eles voltassem logo.  
          Relembrando de tudo isso no natal de 2010 sentado na varanda de minha casa em São Paulo recordei tudo , tanto que cheguei a dormir e sentir saudade daquele tempo que não volta mais , onde o natal tinha um sentido de ser e as famílias se reuniam .
           Meus irmãos não vejo mais após a morte de meus pais se mudaram para Nova Aurora Santa Catarina onde trabalham no comércio e hoje são grandes empresários e não se preocupam mais comigo e somente com seu patrimônio , luxo e ostentação .
           Eu Eusébio Fernandes , trabalhei muito desde pequeno fui agricultor , sapateiro , pedreiro , comerciante e hoje formado em agronomia e aposentado vivo com alegria com minha esposa Constãncia e meus filhos Renato e Paula e meus netos Alexandre e Larissa  e bisnetos Gilberto e Carla  , mas aquele natal de 1931 não esquecerei jamais , um natal com muita alegria e emoção onde tinha a presença de meus pais com amor e dedicação e do meu avô e eminha avó que eram muito bons , sendo recordações de um natal que não sairão do meu pensamento e que a felicidade está nos bons momentos que vivemos. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Ilusão Cultural - Autor Ruy da Penha Lôbo

      Nas muitas indagações que me faço , tento procurar entender algumas coisas , porque algumas pessoas que são celebridades no mundo da política , economia , teatro, televisão , acham que a cultura ocidental está nos Estados Unidos , será porque pensam por ser a grande superpotência acham também que são culturalmente superiores? 
      Estão redondamente enganados , a cultura ocidental não está nos Estados Unidos pelo contrário se encontra nos paises do mundo antigo como Itália e Grécia. A Itália onde se encontra o coliseu de Roma , a Via- Apia , a estrada onde os romanos passavam para conquistar os outros povos e também o direito Romano que é a base de todo direito universal , ou seja foi em Roma que nasceu o curso de Direito que conhecemos hoje. 
     Em relação a Grécia remontamos aos filósofos gregos : Sócrates , Hipocrates, Aristóteles tendo na Grécia nascido a  filosofia , a medicina , as primeiras peças teatrais pois foi na Grécia que surgiu o teatro. Por isso não se iluda achando que para conhecer teatro tem que ir a Broadway para assistir peças de teatro  isso é enganação , se vocês querem saber o que é o teatro vão para onde surgiu o teatro ou seja na Grécia.
        Enfim quero terminar , este texto não criticando , mas mostrando uma verdade cultural , ou seja se você quer conhecer a cultura ocidental vá para estes paises dos quais mencionei , não se iluda acreditando que nos Estados Unidos que a cultura está ai entranhada, pois não está, em termos de cultura não podemos deixar de destacar que o nosso pais é rico culturalmente , não devemos procurar lá fora o que nós temos aqui dentro  pois a cultura é um termo muito amplo se refere a língua , costumes , tradições , sotaques exemplo de riqueza que encontramos aqui , porém se você quer se iludir se iluda , não posso fazer nada a não ser esperar que você sai dessa ilusão cultural.